PERDÃO
Com início ao pôr do sol do dia 11 de outubro até o anoitecer de 12 de outubro, os judeus do mundo inteiro celebrarão o Yom Kipur. As palavras hebraicas “yom” e “kipur” significam “Dia do Perdão”, a mais importante e sagrada data do judaísmo.
É um dia dedicado à contrição, ao jejum e às preces, celebrado em
Tishrei, o sétimo mês do calendário religioso hebraico e primeiro do calendário
civil, 10 dias após Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico. O Yom Kipur marca o final
dos “Dez Dias Temíveis” e ‘concede ao judeu a última oportunidade de obter o
perdão e a absolvição divinos pelos pecados cometidos no ano que se encerrou.’
Esta é a premissa da maioria dos judeus.
Mas teologicamente a canção, transformada em oração, escrita e
pronunciada em aramaico ao final do Dia do Perdão, o Kol Nidre, especifica que
as promessas e juras que um judeu fez ou faz, não tem validade. Sua origem é
atribuída aos judeus Caraítas. Tal canção e incorporação dela era relativa a
todos os movimentos de conversões forçadas dos judeus, primeiro ao catolicismo
e depois, a partir do final do século 7, ao islamismo. No Dia do Perdão os
judeus pediam perdão ANTECIPADO a Deus, caso fossem obrigados a se converter no
ano seguinte e determinavam que tal conversão não teria validade para os
judeus, mas seria feita para continuarem vivos. Era apenas isso.
Em meados do século 19, a comunidade judaica da Polônia, a maior do
mundo mais de 2,5 milhões de pessoas mudou o sentido do Kol Nidre para pedir
perdão para as promessas e juramentos ocorridos no ano anterior. Assim, nas
sinagogas e comunidades de origem polonesa, se pede pelo ano que passou e nas
outras, pelo ano que se inicia. Como o Kol Nidre não é cantado em hebraico,
praticamente nenhuma pessoa entende o que está cantando em aramaico.
Há várias orações em aramaico na liturgia judaica, inclusive o Kadish
que é a principal delas. O Talmud é especificamente claro sobre o funcionamento
litúrgico dentro de uma sinagoga, especificando que apenas a leitura da Torá
tem que ser feita em hebraico e todas as outras orações e canções podem ser
feitas em qualquer língua, menos em árabe. Já as orações individuais, feitas
privadamente, em casa, podem também ser feitas em árabe.
Nenhuma das “promessas e juramentos” se refere, teologicamente, a
promessas pessoais ou comerciais, ou a juramentos judiciários. Nestes casos
vale a lei do país e qualquer coisa que leve a um pedido de desculpas em
relação a outro judeu ou não-judeu precisa ser feito pessoalmente. Há dez dias
para fazer isso e acertar sua própria consciência. Cabe salientar que ninguém é
obrigado a aceitar tais desculpas, mas é costume ceder.
Os adultos judeus (a partir dos 13 anos de idade) se colocam em jejum de
25 horas (vinte e cinco mesmo), do anoitecer da véspera do feriado até o
anoitecer do dia seguinte. Embora a maioria da população judaica de Israel não
seja religiosamente observante, o Yom Kipur permanece um dia especial para
todos e sustenta este caráter único.
Muitos judeus que definem a si mesmos como laicos e não visitam a
sinagoga ao longo do ano vão aos serviços religiosos neste dia especial e
muitos outros observam o jejum, completa ou parcialmente.
Além do jejum, um dos rituais mais curiosos desta data são as Kaparot.
Para a véspera de Yom Kipur é realizado um ritual de reparação, que consiste no
giro de uma galinha viva, ou peixe, sobre a cabeça do judeu envolvido no
ritual, na crença de que os pecados desta pessoa serão transferidos para a
galinha, que é então abatida. Este ritual é acompanhado por preces especiais.
Esta galinha é costumeiramente ofertada aos pobres ou vendida, neste caso a
quantia arrecadada é destinada à caridade.
Em 1913,
nessa foto publicada em O Malho podemos ver os homens judeus utilizando seus
chapéus normais no Iom Kipur dentro da sinagoga. Vemos também algumas das velas
longas de cera de abelha
Outro costume judaico antigo trazido pelos sefaradim europeus,
abandonado no Rio de Janeiro, segundo o Rabino Stauber, apenas em meados dos
anos 60, era o acendimento de velas longas de 24 horas, feitas com cera de
abelha (portanto amareladas). Acendia-se uma vela por parente falecido
conhecido.
As cerimônias do Yom Kipur não acontecem apenas nas sinagogas. Como há
um afluxo da grande maioria das comunidades judaicas no mundo inteiro, é normal
o aluguel de salões de festas, salões de clubes ou associações, para a
instalação de uma sinagoga só para aquele dia. Antigamente, quando havia poucas
sinagogas no Rio e SP este costume era muito disseminado. Um dos clubes que
sempre recebia os judeus era o Clube Ginástico Português. A medida em que as
sinagogas foram sendo construídas o costume foi sendo abandonado, mas ainda
existe por parte das sinagogas vinculadas à Reforma, que apesar de serem
grandes espaços, tem uma presença muito grande nesta data. Salões de clubes
judaicos também costumam ser transformados em sinagogas.
Em Israel é comum que
salões de hotéis abriguem uma sinagoga a cada shabat (sexta-feira) e no Iom
Kipur também. E não se pode esquecer da infinidade de bunkers em hotéis e
outras repartições em Israel utilizadas no Dia Perdão, afinal de contas é
preciso oferecer espaço para cerca 6,5 milhões de judeus
Em
1936 o costume de manter os chapéus de uso diário na sinagoga continuava firme.
Esta foto foi tirada no Iom Kipur na sinagoga do Centro Israelita do Rio
de Janeiro, pelo O Jornal
Informações de @Portal Menorah
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